Homens terão maior incidência de câncer em 2015

Um câncer de próstata é detectado a cada 7,6 minutos. Esta estatística poderia ser consideravelmente menor se os homens fizessem dois exames essenciais para prevenção: o toque retal e o exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata e que apresenta níveis elevados nos casos de câncer). Eles são complementares — a realização de um exame não exclui a necessidade do outro. Isso acontece porque o PSA falha em 20% dos casos e o toque retal, em 35%; contudo, a realização de ambos reduz a probabilidade de falha para 8%.

A resistência dos homens é vista de perto pelo oncologista clínico, Rodolfo Gadia. “Muitos deles acham perda de tempo fazer exames de rotina e mesmo tendo um problema, não vão ao médico. Quando o assunto é exame de próstata, alguns até mudam de assunto”, afirma.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) os cinco tumores mais incidentes entre o sexo masculino são os cânceres de pele não melanoma, próstata, pulmão, cólon e reto e o de estômago. Nas regiões Sul e Sudeste, o câncer da próstata é o mais incidente. Estimam-se 68 mil novos casos de câncer da próstata no Brasil em 2015.

Para informar esse público não muito adepto aos cuidados médicos, Gadia listou algumas características dos cânceres mais frequentes nos homens. Confira:

– Câncer de pele: existem dois grupos distintos de câncer da pele: o não melanoma, mais frequente e menos agressivo, e os melanomas, mais agressivos, porém muito raros. Para 2015 são esperados 98 mil novos casos de câncer da pele não melanoma entre homens. A exposição excessiva ao sol é o principal fator de risco para o surgimento dos cânceres de pele não melanoma. Em geral, para o melanoma, o maior risco inclui história pessoal ou familiar. Outros fatores de risco para todos os tipos de câncer da pele incluem: sensibilidade da pele ao sol, doenças imunosupressoras e exposição ocupacional.

– Câncer de próstata: o único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer da próstata é a idade. Além desse, outros fatores como raça/etnia, história familiar da doença e alimentação, também influenciam.

Câncer de pulmão: são esperados 16 mil novos casos para 2015. É o segundo mais frequente nas regiões Sul e Centro-Oeste. O tabaco ainda é o principal fator de risco, responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão. Os outros fatores de risco estão relacionados à história familiar, a exposição a carcinógenos ocupacionais e ambientais, por exemplo, amianto, arsênico, radônio 38 e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos.

– Câncer de cólon e reto: são esperados 15 mil novos casos para o país, neste ano. Os fatores de risco mais relevantes são a história familiar de câncer colorretal e a predisposição genética ao desenvolvimento de doenças crônicas do intestino. A idade também é considerada um fator de risco, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumentam com a idade.

– Câncer do estômago: estimam-se  12 mil casos novos de câncer do estômago em homens. O maior fator de risco para o desenvolvimento do câncer do estômago é a infecção em longo prazo pela bactéria H. pylori. É uma das infecções mais comuns no mundo e pode ser responsável por 63% dos casos de câncer gástrico. Em geral, o câncer gástrico apresenta o fator ambiental/comportamental como o principal para o seu desenvolvimento.

Tudo azul

O movimento conhecido como Novembro Azul teve início na Austrália, em 2003, por conta do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17 de novembro). A partir daí, muitas entidades abraçaram essa causa para chamar a atenção do homem para a importância da prevenção e da detecção precoce desse tipo de câncer. Como no Outubro Rosa (dedicado à conscientização do câncer de mama), alguns monumentos também mudam sua iluminação para a cor azul durante o mês de novembro. Além disso, em muitos países, há reuniões entre os homens para falar sobre saúde masculina, incluindo não só o câncer de próstata, mas o câncer de testículo, depressão masculina e outras doenças.

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