[EVENTO] – 58 Indícios Sobre o Corpo, recebe artista da Argentina!

58 intérpretes apresentam seus corpos, frutos de uma marca social cuja beleza se expressa pelas marcas e cicatrizes impressas pelo tempo, o esforço, o trabalho e a experiência. 58 intérpretes, entoando a obra homônima fragmentária do filófoso francês Jean Luc Nancy, adentram o espaço da cena, retiram suas vestes, tecidos e matérias disciplinadas por cores, formas e cortes, marcas impregnadas de uma política de mercado,  de uma cultura da ilusão e velamento.

58 corpos nus no espaço revelam-se por suas cicatrizes e singularidades. Diante deles o olhar que finalmente vê, um microfone onde é possível ampliar o gesto político de desnudar-se a partir da palavra em carne viva, cuja beleza, se há de existir, consiste na própria identificação pela alteridade partilhada em presença.

58 intérpretes nus em ritmo particular e intransferível; em suas costas uma cifra numérica estabelece a ordem da exposição. E sobre os extremos do espaço um arsenal de lama faz-se instrumento de recusa; ao mercado de consumo, aos instrumentos de poder sobre o desejo e a pele, aos mecanismos de controle sobre a forma e dimensão corporal, aos modos de subversão da natureza humana cuja imponência sobre o corpo visa duplicar suas subjetividades, normalizando-as. Essa mesma lama realça os traços únicos de um acidente, cicatrizes em pele, que são marcas de um golpe ou crime passional, as fendas e sulcos de um sentimento, etnia ou hábito, que impressas na superfície sensível do corpo, são pela lama, potencializadas em cor e textura, compartilhadas como óleo sobre tela vívida. Mais que sinais, realçadas pelo pó da terra, tornam-se vestígios de pertencimento ou renuncia.

Um a um em série intermitente, pés descalços, sexo vivo em carne, lábios sobre o microfone, indício mencionado, eco da voz sobre o espaço e então o rito coletivo do movimento. À medida que cada intérprete se despe, se marca, entoa as palavras do filósofo – agora membros de si mesmo – abandona o espaço do privilégio para se unir ao coro de desnudos que endossa o discurso sobre as corporeidades de uma comunidade em dança. A ação dá-se até que o quinquagésimo oitava performer uma-se à massa quente e verdadeira que colore o espaço com as cores do ventre. O corpo é material, imaterial, visível; É externalidade, diferença , alteridade; é a prisão ou deus ; Ele está morto ou é glorioso .

Serviço:
07 e 08 de Outubro
Às 19h
Sala de Encenação – Bloco 3M – UFU Campus Sta. Mônica.
Entrada Franca.
Recomendado para maiores de 16 anos.

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