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			<title>.talvez vintage</title>
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			<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 03:58:15 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
			<category domain="main">In real life</category>			<guid isPermaLink="false">40@http://fernandoprado.com/blog/</guid>
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&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Um estalo, um eco e um pensamento. Caixas. Seis ano depois de desempacotar tudo agora &amp;#233; hora de empacotar novamente, minha casa passa por reformas, uma dessas necessarias e adiadas ate o ultimo segundo possivel - pela grana, barulho, poeira, pedreiros entre outras coisas mais - e temida tambem. Hoje a tarde fiz um barulho, um estalo dentro da casa que ecoou forte nos tres pequenos comodos, foi quando realizei que a casa estava vazia, que o som havia percorrido um espa&amp;#231;o sem mob&amp;#237;lia e tinha voltado para mim. Quando levei a ultima caixa para fora eu encontrei algumas coisas que tinham ficado escondidas pelo tempo, um arquivo com o roteiro do espetaculo A PEDRA, com indica&amp;#231;oes da montagem, cenas, o que eu dizia aos atores, ilumina&amp;#231;ao, enfim, as ideias brutas que foram sendo lapidadas no periodo de nove meses, coisas da cabe&amp;#231;a de um diretor que levou tempo para construir uma obra e est&amp;#225; ali o embriao, nos papeis, na trilha ainda sem detalhamento, nos pequenos e grandes argumentos. Fu&amp;#231;ando mais ainda encontrei um boletim de ocorrencia policial de quando fui assaltado - uma experiencia horrivel e desnecessaria - entraram com armas na mao, parando o onibus em plena BR, nos levaram quase tudo, quase mesmo, agora olho para o B.O que amontoa nomes disformes e anonimos, cada um ali representa uma historia que nao conhe&amp;#231;o mais, cada nome uma justificativa para continuar a remexer meus papeis e descobrir uma autua&amp;#231;ao por exceder velocidade no centro da cidade, sim, era madrugada e eu passei mesmo, acho que coloquei cinquenta, onde era permitido quarenta, sei l&amp;#225;, alguma coisa assim, me custou alguns reais e uma chatea&amp;#231;ao. Continuando ainda eu encontrei fitas cassete que eu provavelmente gravei quando tinha quatorze anos, talvez ate dezesseis, o que estao gravados ali? nao sei. Joguei algumas fora, quase todas, nao quero saber o que tem, quais musicas, quais contos, quais cores, j&amp;#225; nao me importam, nao vou ficar vivendo de passado - pensei - e la se foram algumas horas de grava&amp;#231;ao que por estar numa fita k7 j&amp;#225; tem um ar empoeirado, que alguns poderiam ja chamar de vintage. As VHS foram em sua maioria para o lixo, nem sequer vi o titulo, tive medo de me apaixonar e nao conseguir jogar fora, que venha o novo, as novas fitas com novos titulos ainda que sejam remasteriza&amp;#231;oes do passado.&amp;#160; Continuo mexendo e fazendo estalos aqui no vazio da casa que come&amp;#231;a a se transformar, para encontrar cartas de um amor, que saudade! tenho mesmo, do jeito que foi escrito, da historia que aconteceu, de um tempo onde ficava guardado na gaveta em um lugar especial e hoje est&amp;#225; aqui repousando no fundo desta caixa temporaria. Fica a pergunta, o que disso tudo volta para a casa nova? O que volta para a minha vida? O que deve ocupar este novo espa&amp;#231;o que eu mesmo estou criando? Estalos e ecos, creio que seja uma boa sintese desse novo momento.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/18/talvez-vintage&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">Um estalo, um eco e um pensamento. Caixas. Seis ano depois de desempacotar tudo agora &#233; hora de empacotar novamente, minha casa passa por reformas, uma dessas necessarias e adiadas ate o ultimo segundo possivel - pela grana, barulho, poeira, pedreiros entre outras coisas mais - e temida tambem. Hoje a tarde fiz um barulho, um estalo dentro da casa que ecoou forte nos tres pequenos comodos, foi quando realizei que a casa estava vazia, que o som havia percorrido um espa&#231;o sem mob&#237;lia e tinha voltado para mim. Quando levei a ultima caixa para fora eu encontrei algumas coisas que tinham ficado escondidas pelo tempo, um arquivo com o roteiro do espetaculo A PEDRA, com indica&#231;oes da montagem, cenas, o que eu dizia aos atores, ilumina&#231;ao, enfim, as ideias brutas que foram sendo lapidadas no periodo de nove meses, coisas da cabe&#231;a de um diretor que levou tempo para construir uma obra e est&#225; ali o embriao, nos papeis, na trilha ainda sem detalhamento, nos pequenos e grandes argumentos. Fu&#231;ando mais ainda encontrei um boletim de ocorrencia policial de quando fui assaltado - uma experiencia horrivel e desnecessaria - entraram com armas na mao, parando o onibus em plena BR, nos levaram quase tudo, quase mesmo, agora olho para o B.O que amontoa nomes disformes e anonimos, cada um ali representa uma historia que nao conhe&#231;o mais, cada nome uma justificativa para continuar a remexer meus papeis e descobrir uma autua&#231;ao por exceder velocidade no centro da cidade, sim, era madrugada e eu passei mesmo, acho que coloquei cinquenta, onde era permitido quarenta, sei l&#225;, alguma coisa assim, me custou alguns reais e uma chatea&#231;ao. Continuando ainda eu encontrei fitas cassete que eu provavelmente gravei quando tinha quatorze anos, talvez ate dezesseis, o que estao gravados ali? nao sei. Joguei algumas fora, quase todas, nao quero saber o que tem, quais musicas, quais contos, quais cores, j&#225; nao me importam, nao vou ficar vivendo de passado - pensei - e la se foram algumas horas de grava&#231;ao que por estar numa fita k7 j&#225; tem um ar empoeirado, que alguns poderiam ja chamar de vintage. As VHS foram em sua maioria para o lixo, nem sequer vi o titulo, tive medo de me apaixonar e nao conseguir jogar fora, que venha o novo, as novas fitas com novos titulos ainda que sejam remasteriza&#231;oes do passado.&#160; Continuo mexendo e fazendo estalos aqui no vazio da casa que come&#231;a a se transformar, para encontrar cartas de um amor, que saudade! tenho mesmo, do jeito que foi escrito, da historia que aconteceu, de um tempo onde ficava guardado na gaveta em um lugar especial e hoje est&#225; aqui repousando no fundo desta caixa temporaria. Fica a pergunta, o que disso tudo volta para a casa nova? O que volta para a minha vida? O que deve ocupar este novo espa&#231;o que eu mesmo estou criando? Estalos e ecos, creio que seja uma boa sintese desse novo momento.</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/18/talvez-vintage">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>.Ent&#227;o Venha me Dizer o que ser&#225;</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/13/entao-venha-me-dizer-o-que-sera</link>
			<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 13:40:25 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
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						<description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Meu post come&amp;#231;a assim, com um ventilador em cima de mim e Marina Lima dizendo &quot;ent&amp;#227;o venha me dizer o que ser&amp;#225; da minha vida - ooou! - sem voc&amp;#234; (...) um mundo estranho para me segurar&quot;&amp;#160; &amp;#233; bem isso mesmo, um mundo estranho. Acabei de chegar do centro de compras e sa&amp;#237; de l&amp;#225; com duas aquisi&amp;#231;&amp;#245;es, uma delas uma camisa polo branca sem bolso de vinte e cinco reais pagos pelo meu cartao de d&amp;#233;bito e a outra aquisi&amp;#231;&amp;#227;o um filme - estupidamente - intitulado de &quot;Foi tudo um sonho&quot; ou &quot;Revolutionary Road&quot;. Assi mque assisti h&amp;#225; alguns meses atras me apaixonei pela trama, pelo roteiro/dire&amp;#231;&amp;#227;o e derivados do leite sem falar na interpreta&amp;#231;&amp;#227;o de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio que s&amp;#227;o magistrais e que denotam a maturidade do casal que despontou ao mundo atrav&amp;#233;s do barquinho de papel que afunda. Bem, o que foi interessante &amp;#233; que comprei o filme e fui atras da minha polo branca sem bolso, enquanto eu pagava a mesma,&amp;#160; a vendedora - vendo meu filme em cima do balc&amp;#227;o - graciosamente solta a p&amp;#233;rola &quot;eu nao gostei desse filme&quot;&amp;#160; e como se fosse uma continua&amp;#231;&amp;#227;o da conversa e j&amp;#225; fechando a venda ela complementa sem exitar &quot;obrigado, tenha um bom dia&quot; e sai dali. Pausa dram&amp;#225;tica. S&amp;#243; me sobrou um sorriso amarelo de quem tenta ainda ser educado ainda que profundamente incomodado com a situa&amp;#231;&amp;#227;o, agora me conta... porque isso me incomodou? Porque de alguma forma o gosto de um individio configura sua vis&amp;#227;o de mundo, suas escolhas e mesmo que nao fosse da minha vontade me tornar amigo dessa - infeliz - vendedora, nem mesmo tivesse eu vontade de comer um churrasquinho no domingo&amp;#160; ou mostrar minha cole&amp;#231;&amp;#227;o de dvds a ela num dia chuvoso, me entristeceu o fato de n&amp;#227;o dividirmos o mesmo gosto ali naquela fila, enquanto eu digitava minha senha de quatro caracteres no teclado. Preocupa e me incomoda a banaliza&amp;#231;&amp;#227;o da obra de arte e o esvaziamento das questoes que envolvem a rela&amp;#231;&amp;#227;o interpessoal, afetiva, profissional, n&amp;#227;o &amp;#233; atoa a violencia desenfreada e sem limites - como se fosse possivel uma &lt;em&gt;com limites &lt;/em&gt;- penso que tudo isso passa pela via da aquisi&amp;#231;&amp;#227;o de conhecimento de mundo que vem entre outras formas de um filme como este &quot;Revolutionary Road&quot; t&amp;#227;o bem urdido que merece nosso olhar de encantamento e porque n&amp;#227;o de aprendizado. O saldo - para mim pelo menos - foi &amp;#243;timo: cheguei em casa com um filme, uma camisa polo e uma historia pra contar.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/13/entao-venha-me-dizer-o-que-sera&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">Meu post come&#231;a assim, com um ventilador em cima de mim e Marina Lima dizendo "ent&#227;o venha me dizer o que ser&#225; da minha vida - ooou! - sem voc&#234; (...) um mundo estranho para me segurar"&#160; &#233; bem isso mesmo, um mundo estranho. Acabei de chegar do centro de compras e sa&#237; de l&#225; com duas aquisi&#231;&#245;es, uma delas uma camisa polo branca sem bolso de vinte e cinco reais pagos pelo meu cartao de d&#233;bito e a outra aquisi&#231;&#227;o um filme - estupidamente - intitulado de "Foi tudo um sonho" ou "Revolutionary Road". Assi mque assisti h&#225; alguns meses atras me apaixonei pela trama, pelo roteiro/dire&#231;&#227;o e derivados do leite sem falar na interpreta&#231;&#227;o de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio que s&#227;o magistrais e que denotam a maturidade do casal que despontou ao mundo atrav&#233;s do barquinho de papel que afunda. Bem, o que foi interessante &#233; que comprei o filme e fui atras da minha polo branca sem bolso, enquanto eu pagava a mesma,&#160; a vendedora - vendo meu filme em cima do balc&#227;o - graciosamente solta a p&#233;rola "eu nao gostei desse filme"&#160; e como se fosse uma continua&#231;&#227;o da conversa e j&#225; fechando a venda ela complementa sem exitar "obrigado, tenha um bom dia" e sai dali. Pausa dram&#225;tica. S&#243; me sobrou um sorriso amarelo de quem tenta ainda ser educado ainda que profundamente incomodado com a situa&#231;&#227;o, agora me conta... porque isso me incomodou? Porque de alguma forma o gosto de um individio configura sua vis&#227;o de mundo, suas escolhas e mesmo que nao fosse da minha vontade me tornar amigo dessa - infeliz - vendedora, nem mesmo tivesse eu vontade de comer um churrasquinho no domingo&#160; ou mostrar minha cole&#231;&#227;o de dvds a ela num dia chuvoso, me entristeceu o fato de n&#227;o dividirmos o mesmo gosto ali naquela fila, enquanto eu digitava minha senha de quatro caracteres no teclado. Preocupa e me incomoda a banaliza&#231;&#227;o da obra de arte e o esvaziamento das questoes que envolvem a rela&#231;&#227;o interpessoal, afetiva, profissional, n&#227;o &#233; atoa a violencia desenfreada e sem limites - como se fosse possivel uma <em>com limites </em>- penso que tudo isso passa pela via da aquisi&#231;&#227;o de conhecimento de mundo que vem entre outras formas de um filme como este "Revolutionary Road" t&#227;o bem urdido que merece nosso olhar de encantamento e porque n&#227;o de aprendizado. O saldo - para mim pelo menos - foi &#243;timo: cheguei em casa com um filme, uma camisa polo e uma historia pra contar.</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/13/entao-venha-me-dizer-o-que-sera">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>.sobre teatro, sociedade da cena e outras margarinas</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/08/sobre-teatro-sociedade-da-cena-e-outras-margarinas</link>
			<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 00:19:35 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
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&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Com cinco anos de grupo, est&amp;#225;vamos estreando &amp;#8220;Manual de Mim&amp;#8221; espet&amp;#225;culo solo que somava naquele momento o aprendizado da m&amp;#237;mica corporal dram&amp;#225;tica, m&amp;#237;mica total e teatro essencial; a obra contava com a minha dramaturgia que se servia de pequenos excertos de autores como Clarisse Lispector, Julio Cortazar e as regras do m&amp;#233;todo de Descartes numa collage. Ap&amp;#243;s a estr&amp;#233;ia t&amp;#237;nhamos diversas datas j&amp;#225; marcadas para a circula&amp;#231;&amp;#227;o do espet&amp;#225;culo quando me cai &amp;#224; m&amp;#227;o um conto de Caio Fernando Abreu &amp;#8220;Dama da Noite&amp;#8221; e instantaneamente me apaixonei pela forma de escrita e como criador povoei meu imagin&amp;#225;rio de corpos que poderiam habitar este e &amp;#8211; quem sabe? &amp;#8211; outros contos do mesmo autor.  Enquanto Manual de Mim estava em cena, demos inicio a leituras e reflex&amp;#245;es dos contos do Caio, pesquisei um pouco do pano de fundo que o autor se apropriou para escrever, conversei com amigos dele, visitei alguns lugares em S&amp;#227;o Paulo freq&amp;#252;entados por ele, foi um processo de imers&amp;#227;o que durou cinco anos. At&amp;#233; o momento em que decidimos por &amp;#8220;A Beira do Mar Aberto&amp;#8221;, essa decis&amp;#227;o veio depois de muito ler e como &amp;#8211; pensando decidimos &amp;#8211; que este novo trabalho do grupo se conformaria novamente solo, o texto parecia caber como uma luva. At&amp;#233; aqui identificamos tr&amp;#234;s etapas: a primeira de pesquisa, aquisi&amp;#231;&amp;#227;o e leitura dos contos, a segunda de sele&amp;#231;&amp;#227;o do conto, an&amp;#225;lise e disseca&amp;#231;&amp;#227;o e a terceira etapa a de montagem.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Chamo a aten&amp;#231;&amp;#227;o do termo disseca&amp;#231;&amp;#227;o que etimologicamente na medicina significa separar as partes de um corpo ou de um &amp;#243;rg&amp;#227;o, t&amp;#237;nhamos nas m&amp;#227;os um corpo, dissecamos at&amp;#233; onde nossa intelig&amp;#234;ncia e maturidade pode nos levar, ao chegar nos &amp;#243;rg&amp;#227;os come&amp;#231;amos outro processo que chamei de metaf&amp;#243;rico porque a partir daqui passamos a trabalhar com analogias e met&amp;#225;foras em cima do que j&amp;#225; era por natureza po&amp;#233;tico e em certo grau subjetivo. Assim como Regina Muller em seu artigo Ritual, Schechner e Performance est&amp;#225;vamos preocupados nessa pesquisa com a no&amp;#231;&amp;#227;o de persist&amp;#234;ncia do significado da a&amp;#231;&amp;#227;o; e por pouco n&amp;#227;o nos perdemos nela, em verdade nos perdemos, mas com auxilio do performer Wagner Schwartz fomos encontrando outro espa&amp;#231;o e outras luzes. A terceira etapa foi a montagem e talvez aqui resida toda a dificuldade do processo que levou quase um ano para concretizar. O texto do Caio Fernando fala em um relacionamento real demais para ser imagin&amp;#225;rio, por isso mesmo o &amp;#233;. Uma virtualidade na escrita nos levou a crer que tudo se passava na cabe&amp;#231;a de um e n&amp;#227;o dos dois narrados no texto e portanto nosso tema deixava de ser o relacionamento, o casal e outras obviedades para se tornar o hyper-real e o virtual. Frente a este panorama apenas uma pergunta nos assustava &amp;#8220;que corpo ocupa este espa&amp;#231;o?&amp;#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Manual de Mim havia sido tranq&amp;#252;ilo na montagem pelo fato de j&amp;#225; estamos estudando uma t&amp;#233;cnica milenar que &amp;#233; a m&amp;#237;mica, seja atrav&amp;#233;s de professores, da artistas mambembes ou mesmo da observa&amp;#231;&amp;#227;o de v&amp;#237;deos, dispon&amp;#237;veis hoje no mercado. T&amp;#237;nhamos um corpo j&amp;#225; moldado por uma t&amp;#233;cnica e a partir dali criamos cenas tendo o texto como companheiro, Denise Stoklos dizia &amp;#8220;o ator n&amp;#227;o &amp;#233; ativo, o espa&amp;#231;o &amp;#233; ativo e o ator entra em a&amp;#231;&amp;#227;o&amp;#8221; se permite ser atravessado pela atividade do espa&amp;#231;o, precisei enquanto ator entender um pouco do que ela dizia para conseguir alavancar o espet&amp;#225;culo e mesmo com todas as dificuldades do percurso ainda sim t&amp;#237;nhamos a t&amp;#233;cnica da m&amp;#237;mica e da pantomima n&amp;#227;o s&amp;#243; nos auxiliando como servindo de muleta quando a criatividade e as solu&amp;#231;&amp;#245;es nos era distante. No Caio Fernando perceb&amp;#237;amos que a destreza corporal (seria) uma possibilidade expressiva, mas n&amp;#227;o a &amp;#250;nica e nem a mais importante2, n&amp;#227;o t&amp;#237;nhamos permiss&amp;#227;o para &amp;#8211; atrav&amp;#233;s de gestual idade objetiva &amp;#8211; explicar o que o conto dizia, nos parecia repetir a formula e n&amp;#227;o s&amp;#243; isso, hav&amp;#237;amos percebido que aquele corpo brasileiro com t&amp;#233;cnica europ&amp;#233;ia, treinado tr&amp;#234;s horas por dia durante um ano, tinha resultado em uma esp&amp;#233;cie de comunica&amp;#231;&amp;#227;o-forma &amp;#8211; dentro do Sociedade da Cena &amp;#8211; forma essa que n&amp;#227;o nos era interessante repetir por mero &amp;#243;cio criativo. Assim chegamos em uma quest&amp;#227;o que encontrei tamb&amp;#233;m em Patrice Pavis, Como fazer no caso de um espet&amp;#225;culo de dan&amp;#231;a ou teatro-dan&amp;#231;a no qual o gestual n&amp;#227;o acompanha um texto ou uma narrativa?3 Inici&amp;#225;vamos &amp;#8211; sabendo, mas sem aceitar &amp;#8211; uma incurs&amp;#227;o na cena contempor&amp;#226;nea que vezenquando intitula-se dan&amp;#231;a contempor&amp;#226;nea, teatro-dan&amp;#231;a, instala&amp;#231;&amp;#227;o, v&amp;#237;deo-instala&amp;#231;&amp;#227;o e outras performance arte. Ap&amp;#243;s a cria&amp;#231;&amp;#227;o de diversos n&amp;#250;cleos de cena, partimos para a cria&amp;#231;&amp;#227;o do cen&amp;#225;rio como subterf&amp;#250;gio para nossa inquietude, contemplando algumas obras do pintor holand&amp;#234;s modernista Mondrian chegamos a um palco desmont&amp;#225;vel, em cubos que se desprendiam do centro criando ilhas, ora distantes ora pr&amp;#243;ximas, revestidas de material branco para que pud&amp;#233;ssemos contar com o recurso do v&amp;#237;deo, neste momento voltamos a acreditar no projeto &amp;#8211; alterado in&amp;#250;meras vezes &amp;#8211; e antes que perd&amp;#234;ssemos de vez a f&amp;#233; no que faz&amp;#237;amos um corpo virtual come&amp;#231;ou a ocupar o palco, as proje&amp;#231;&amp;#245;es pareciam comunicar com o que a cena requeria, uma rela&amp;#231;&amp;#227;o que n&amp;#227;o acontece, que n&amp;#227;o se efetua mas que esta l&amp;#225;, podemos v&amp;#234;-la, fria, como um morto-que-ainda-anda. Este momento me remete ao di&amp;#225;rio da atriz Ana Cris Colla que escrevia sobre um dia de trabalho, S&amp;#225;bado resolveram jogar fora o sof&amp;#225;. Segunda a televis&amp;#227;o. Quarta a noite, a geladeira. Hoje querem retirar todas as camas. Est&amp;#227;o todos l&amp;#225;, entulhados no quintal da casa. Ainda n&amp;#227;o conseguiram se livrar totalmente.4&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Est&amp;#225;vamos tirando tudo para limpar a casa e reorganiz&amp;#225;-la. Entendemos o trabalho do ator como aquele que &amp;#233; intermedi&amp;#225;rio, aquele que est&amp;#225; entre, a fic&amp;#231;&amp;#227;o e o espectador, aquele individuo que utiliza de sua express&amp;#227;o &amp;#8211; corpo, voz e pensamento &amp;#8211; para doar-se; assim seguimos convidando o artista Wagner Schwartz para nos orientar, no que ele chamou de &amp;#8220;orienta&amp;#231;&amp;#227;o dramat&amp;#250;rgica&amp;#8221;, Schwartz arrumou a casa, tirou o excesso, aquilo que era demasiado rom&amp;#226;ntico para o que eu propunha como ator e as sobras que o grupo tamb&amp;#233;m havia inserido, foi uma verdadeira faxina n&amp;#227;o s&amp;#243; no corpo, embora o novo conceito de corpo que chegava &amp;#8211; de Europa talvez? &amp;#8211; se impunha como um r&amp;#233;quiem-corporal de um ator cujo ultimo trabalho havia sido baseado em pantomima, mas tamb&amp;#233;m conceitualmente, discut&amp;#237;amos o agente, o performer, que imagem e as razoes que o levaram a gerar esta ou aquela imagem. Este &amp;#233; um momento crucial do trabalho onde o corpo tomou corpo e a obra se significou em obra, o grupo percebeu que est&amp;#225;vamos construindo um espet&amp;#225;culo. DATA estreou em Dezembro de 2009, comemorando 10 anos do Sociedade da Cena, com assist&amp;#234;ncia de dire&amp;#231;&amp;#227;o de Ana Carla Machado.&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/08/sobre-teatro-sociedade-da-cena-e-outras-margarinas&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
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<p style="text-align: justify;">Com cinco anos de grupo, est&#225;vamos estreando &#8220;Manual de Mim&#8221; espet&#225;culo solo que somava naquele momento o aprendizado da m&#237;mica corporal dram&#225;tica, m&#237;mica total e teatro essencial; a obra contava com a minha dramaturgia que se servia de pequenos excertos de autores como Clarisse Lispector, Julio Cortazar e as regras do m&#233;todo de Descartes numa collage. Ap&#243;s a estr&#233;ia t&#237;nhamos diversas datas j&#225; marcadas para a circula&#231;&#227;o do espet&#225;culo quando me cai &#224; m&#227;o um conto de Caio Fernando Abreu &#8220;Dama da Noite&#8221; e instantaneamente me apaixonei pela forma de escrita e como criador povoei meu imagin&#225;rio de corpos que poderiam habitar este e &#8211; quem sabe? &#8211; outros contos do mesmo autor.  Enquanto Manual de Mim estava em cena, demos inicio a leituras e reflex&#245;es dos contos do Caio, pesquisei um pouco do pano de fundo que o autor se apropriou para escrever, conversei com amigos dele, visitei alguns lugares em S&#227;o Paulo freq&#252;entados por ele, foi um processo de imers&#227;o que durou cinco anos. At&#233; o momento em que decidimos por &#8220;A Beira do Mar Aberto&#8221;, essa decis&#227;o veio depois de muito ler e como &#8211; pensando decidimos &#8211; que este novo trabalho do grupo se conformaria novamente solo, o texto parecia caber como uma luva. At&#233; aqui identificamos tr&#234;s etapas: a primeira de pesquisa, aquisi&#231;&#227;o e leitura dos contos, a segunda de sele&#231;&#227;o do conto, an&#225;lise e disseca&#231;&#227;o e a terceira etapa a de montagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Chamo a aten&#231;&#227;o do termo disseca&#231;&#227;o que etimologicamente na medicina significa separar as partes de um corpo ou de um &#243;rg&#227;o, t&#237;nhamos nas m&#227;os um corpo, dissecamos at&#233; onde nossa intelig&#234;ncia e maturidade pode nos levar, ao chegar nos &#243;rg&#227;os come&#231;amos outro processo que chamei de metaf&#243;rico porque a partir daqui passamos a trabalhar com analogias e met&#225;foras em cima do que j&#225; era por natureza po&#233;tico e em certo grau subjetivo. Assim como Regina Muller em seu artigo Ritual, Schechner e Performance est&#225;vamos preocupados nessa pesquisa com a no&#231;&#227;o de persist&#234;ncia do significado da a&#231;&#227;o; e por pouco n&#227;o nos perdemos nela, em verdade nos perdemos, mas com auxilio do performer Wagner Schwartz fomos encontrando outro espa&#231;o e outras luzes. A terceira etapa foi a montagem e talvez aqui resida toda a dificuldade do processo que levou quase um ano para concretizar. O texto do Caio Fernando fala em um relacionamento real demais para ser imagin&#225;rio, por isso mesmo o &#233;. Uma virtualidade na escrita nos levou a crer que tudo se passava na cabe&#231;a de um e n&#227;o dos dois narrados no texto e portanto nosso tema deixava de ser o relacionamento, o casal e outras obviedades para se tornar o hyper-real e o virtual. Frente a este panorama apenas uma pergunta nos assustava &#8220;que corpo ocupa este espa&#231;o?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">Manual de Mim havia sido tranq&#252;ilo na montagem pelo fato de j&#225; estamos estudando uma t&#233;cnica milenar que &#233; a m&#237;mica, seja atrav&#233;s de professores, da artistas mambembes ou mesmo da observa&#231;&#227;o de v&#237;deos, dispon&#237;veis hoje no mercado. T&#237;nhamos um corpo j&#225; moldado por uma t&#233;cnica e a partir dali criamos cenas tendo o texto como companheiro, Denise Stoklos dizia &#8220;o ator n&#227;o &#233; ativo, o espa&#231;o &#233; ativo e o ator entra em a&#231;&#227;o&#8221; se permite ser atravessado pela atividade do espa&#231;o, precisei enquanto ator entender um pouco do que ela dizia para conseguir alavancar o espet&#225;culo e mesmo com todas as dificuldades do percurso ainda sim t&#237;nhamos a t&#233;cnica da m&#237;mica e da pantomima n&#227;o s&#243; nos auxiliando como servindo de muleta quando a criatividade e as solu&#231;&#245;es nos era distante. No Caio Fernando perceb&#237;amos que a destreza corporal (seria) uma possibilidade expressiva, mas n&#227;o a &#250;nica e nem a mais importante2, n&#227;o t&#237;nhamos permiss&#227;o para &#8211; atrav&#233;s de gestual idade objetiva &#8211; explicar o que o conto dizia, nos parecia repetir a formula e n&#227;o s&#243; isso, hav&#237;amos percebido que aquele corpo brasileiro com t&#233;cnica europ&#233;ia, treinado tr&#234;s horas por dia durante um ano, tinha resultado em uma esp&#233;cie de comunica&#231;&#227;o-forma &#8211; dentro do Sociedade da Cena &#8211; forma essa que n&#227;o nos era interessante repetir por mero &#243;cio criativo. Assim chegamos em uma quest&#227;o que encontrei tamb&#233;m em Patrice Pavis, Como fazer no caso de um espet&#225;culo de dan&#231;a ou teatro-dan&#231;a no qual o gestual n&#227;o acompanha um texto ou uma narrativa?3 Inici&#225;vamos &#8211; sabendo, mas sem aceitar &#8211; uma incurs&#227;o na cena contempor&#226;nea que vezenquando intitula-se dan&#231;a contempor&#226;nea, teatro-dan&#231;a, instala&#231;&#227;o, v&#237;deo-instala&#231;&#227;o e outras performance arte. Ap&#243;s a cria&#231;&#227;o de diversos n&#250;cleos de cena, partimos para a cria&#231;&#227;o do cen&#225;rio como subterf&#250;gio para nossa inquietude, contemplando algumas obras do pintor holand&#234;s modernista Mondrian chegamos a um palco desmont&#225;vel, em cubos que se desprendiam do centro criando ilhas, ora distantes ora pr&#243;ximas, revestidas de material branco para que pud&#233;ssemos contar com o recurso do v&#237;deo, neste momento voltamos a acreditar no projeto &#8211; alterado in&#250;meras vezes &#8211; e antes que perd&#234;ssemos de vez a f&#233; no que faz&#237;amos um corpo virtual come&#231;ou a ocupar o palco, as proje&#231;&#245;es pareciam comunicar com o que a cena requeria, uma rela&#231;&#227;o que n&#227;o acontece, que n&#227;o se efetua mas que esta l&#225;, podemos v&#234;-la, fria, como um morto-que-ainda-anda. Este momento me remete ao di&#225;rio da atriz Ana Cris Colla que escrevia sobre um dia de trabalho, S&#225;bado resolveram jogar fora o sof&#225;. Segunda a televis&#227;o. Quarta a noite, a geladeira. Hoje querem retirar todas as camas. Est&#227;o todos l&#225;, entulhados no quintal da casa. Ainda n&#227;o conseguiram se livrar totalmente.4</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">Est&#225;vamos tirando tudo para limpar a casa e reorganiz&#225;-la. Entendemos o trabalho do ator como aquele que &#233; intermedi&#225;rio, aquele que est&#225; entre, a fic&#231;&#227;o e o espectador, aquele individuo que utiliza de sua express&#227;o &#8211; corpo, voz e pensamento &#8211; para doar-se; assim seguimos convidando o artista Wagner Schwartz para nos orientar, no que ele chamou de &#8220;orienta&#231;&#227;o dramat&#250;rgica&#8221;, Schwartz arrumou a casa, tirou o excesso, aquilo que era demasiado rom&#226;ntico para o que eu propunha como ator e as sobras que o grupo tamb&#233;m havia inserido, foi uma verdadeira faxina n&#227;o s&#243; no corpo, embora o novo conceito de corpo que chegava &#8211; de Europa talvez? &#8211; se impunha como um r&#233;quiem-corporal de um ator cujo ultimo trabalho havia sido baseado em pantomima, mas tamb&#233;m conceitualmente, discut&#237;amos o agente, o performer, que imagem e as razoes que o levaram a gerar esta ou aquela imagem. Este &#233; um momento crucial do trabalho onde o corpo tomou corpo e a obra se significou em obra, o grupo percebeu que est&#225;vamos construindo um espet&#225;culo. DATA estreou em Dezembro de 2009, comemorando 10 anos do Sociedade da Cena, com assist&#234;ncia de dire&#231;&#227;o de Ana Carla Machado.</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/08/sobre-teatro-sociedade-da-cena-e-outras-margarinas">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>.mesmo que nao perceba</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/01/mesmo-que-nao-perceba</link>
			<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 13:00:53 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
			<category domain="main">In real life</category>			<guid isPermaLink="false">36@http://fernandoprado.com/blog/</guid>
						<description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;... foi quando me deu muita vontade de escrever sobre isso aqui no Blog e se a vontade veio forte &amp;#233; porque talvez tenha realizado que estou realmente numa &lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;&lt;em&gt;outra cidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. O que &amp;#233; estar em outra cidade? O que &amp;#233; visitar o&lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;&lt;em&gt;utra cidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;? Postei ha 5 dias atras no twitter &quot;estou na cidade maravilhosa!&quot; dezenas de perguntas pipocaram &quot;como est&amp;#225; o Leblon?&quot; &quot;No Cristo, voc&amp;#234; ja foi?&quot; &quot;Teu reveillon ser&amp;#225; em copacabana?&quot; Nao! nao havia feito nada disso, nao havia dado tempo nem de fazer a metade e me senti pressionado de ter que ter ido em todos estes lugares e tirado fotos e filmado e postado no twitter ou no facebook, meu Deus! Calma! Respira, voc&amp;#234; est&amp;#225; em &lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;&lt;em&gt;outra cidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, pronto, voc&amp;#234; ja est&amp;#225; l&amp;#225; -aqui- mesmo que nao perceba, mesmo nao tendo ido ao Cristo Redentor. Comecei a perceber que estar em outro lugar &amp;#233; estranhar-se se sentindo estrangeiro, perguntar onde fica a avenida atlantica quando todos os demais estao carecas de saber onde &amp;#233; e sem esfor&amp;#231;o te indicam o caminho, &quot;dobra a direita, segue reto at&amp;#233; o tunel&quot; pensei eu &quot;tunel?&quot; sim, esse vocabul&amp;#225;rio que nao &amp;#233; nem um pouco distante de mim ganha mais for&amp;#231;a em &lt;em&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;outra cidade&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, aqui &amp;#233; comum ter tuneis com sotaques e nomes famosos que se ve na televisao e no cinema; mesmo sem ter ido at&amp;#233; l&amp;#225;, alguem me indica a Favela da Rocinha e meus olhos miram encantados aquele amontoado de barracos como quem v&amp;#234; uma atra&amp;#231;&amp;#227;o dessa metr&amp;#243;pole, coisa de quem &amp;#233; estrangeiro, sim estou em &lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;&lt;em&gt;outra cidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; quando nao consigo olhar a principio e ja me preocupar socialmente com tudo aquilo, ao contrario me encanto, &amp;#233; belo &amp;#233; feio &amp;#233; perigoso &amp;#233; grande, estou em &lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;outra cidade&lt;/span&gt;! Quando pego um taxi e pago 70 reais para chegar em Coelho Neto - nem sabia que existia, afinal nao est&amp;#225; nos jornais da minha terra - e presenciar uma enchente dessas que figuram nos jornais da minha terra. Estou bem por aqui, ainda nao fui ao Cristo, ainda nao sei direito o que &amp;#233; o&amp;#160; Pao de A&amp;#231;ucar, embora tenha sentido tantos outros sabores e odores, assisti a uma queima de fogos inigual&amp;#225;vel, ouvi tantas historias diferentes sobre as mesmas coisas que eu estou sim em &lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;&lt;em&gt;outra cidade&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, agora aqui na sala sentado olhando um peda&amp;#231;o da pedra quase vendo o suvaco depilado de Nosso Senhor penso que consigo me sentir mais em casa, tenho amigos por aqui&amp;#160; que me recebem e me vem e me contas (...)&amp;#160; tenho descobertas a todo tempo e mesmo se voltasse agora para Minas - onde se come mandioca e nao aipim - eu estaria contente por ter estado em outro lugar qu enao o meu, ter convivido com outras pessoas, ter visto outras paisagem e me apaixonado por mais pessoas, o mundo &amp;#233; grande e ha muito o que conhecer, agora &amp;#233; ler o GLOBO, dar uma volta na LAGOA e daqui alguns dias voltar para casa com a felicidade de quem esteve em &lt;em&gt;&lt;span style=&quot;color: #ff0000;&quot;&gt;outra cidade &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;e encheu os olhos d`agua ao ver o mar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;.f&amp;#234; prado&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/01/mesmo-que-nao-perceba&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
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<p style="text-align: justify;">... foi quando me deu muita vontade de escrever sobre isso aqui no Blog e se a vontade veio forte &#233; porque talvez tenha realizado que estou realmente numa <span style="color: #ff0000;"><em>outra cidade</em></span>. O que &#233; estar em outra cidade? O que &#233; visitar o<span style="color: #ff0000;"><em>utra cidade</em></span>? Postei ha 5 dias atras no twitter "estou na cidade maravilhosa!" dezenas de perguntas pipocaram "como est&#225; o Leblon?" "No Cristo, voc&#234; ja foi?" "Teu reveillon ser&#225; em copacabana?" Nao! nao havia feito nada disso, nao havia dado tempo nem de fazer a metade e me senti pressionado de ter que ter ido em todos estes lugares e tirado fotos e filmado e postado no twitter ou no facebook, meu Deus! Calma! Respira, voc&#234; est&#225; em <span style="color: #ff0000;"><em>outra cidade</em></span>, pronto, voc&#234; ja est&#225; l&#225; -aqui- mesmo que nao perceba, mesmo nao tendo ido ao Cristo Redentor. Comecei a perceber que estar em outro lugar &#233; estranhar-se se sentindo estrangeiro, perguntar onde fica a avenida atlantica quando todos os demais estao carecas de saber onde &#233; e sem esfor&#231;o te indicam o caminho, "dobra a direita, segue reto at&#233; o tunel" pensei eu "tunel?" sim, esse vocabul&#225;rio que nao &#233; nem um pouco distante de mim ganha mais for&#231;a em <em><span style="color: #ff0000;">outra cidade</span></em>, aqui &#233; comum ter tuneis com sotaques e nomes famosos que se ve na televisao e no cinema; mesmo sem ter ido at&#233; l&#225;, alguem me indica a Favela da Rocinha e meus olhos miram encantados aquele amontoado de barracos como quem v&#234; uma atra&#231;&#227;o dessa metr&#243;pole, coisa de quem &#233; estrangeiro, sim estou em <span style="color: #ff0000;"><em>outra cidade</em></span> quando nao consigo olhar a principio e ja me preocupar socialmente com tudo aquilo, ao contrario me encanto, &#233; belo &#233; feio &#233; perigoso &#233; grande, estou em <span style="color: #ff0000;">outra cidade</span>! Quando pego um taxi e pago 70 reais para chegar em Coelho Neto - nem sabia que existia, afinal nao est&#225; nos jornais da minha terra - e presenciar uma enchente dessas que figuram nos jornais da minha terra. Estou bem por aqui, ainda nao fui ao Cristo, ainda nao sei direito o que &#233; o&#160; Pao de A&#231;ucar, embora tenha sentido tantos outros sabores e odores, assisti a uma queima de fogos inigual&#225;vel, ouvi tantas historias diferentes sobre as mesmas coisas que eu estou sim em <span style="color: #ff0000;"><em>outra cidade</em></span>, agora aqui na sala sentado olhando um peda&#231;o da pedra quase vendo o suvaco depilado de Nosso Senhor penso que consigo me sentir mais em casa, tenho amigos por aqui&#160; que me recebem e me vem e me contas (...)&#160; tenho descobertas a todo tempo e mesmo se voltasse agora para Minas - onde se come mandioca e nao aipim - eu estaria contente por ter estado em outro lugar qu enao o meu, ter convivido com outras pessoas, ter visto outras paisagem e me apaixonado por mais pessoas, o mundo &#233; grande e ha muito o que conhecer, agora &#233; ler o GLOBO, dar uma volta na LAGOA e daqui alguns dias voltar para casa com a felicidade de quem esteve em <em><span style="color: #ff0000;">outra cidade </span></em>e encheu os olhos d`agua ao ver o mar.</p>
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<p>.f&#234; prado</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2010/01/01/mesmo-que-nao-perceba">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>.aquele olhar dial&#233;tico 43</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/29/aquele-olhar-dialetico-43</link>
			<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 21:52:27 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
			<category domain="main">In real life</category>			<guid isPermaLink="false">35@http://fernandoprado.com/blog/</guid>
						<description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;... com bastante receio de perder tres ricas horas da minha tarde carioca no cinema, fui ao Downtown assistir a AVATAR, um filme a principio &amp;#233;pico sobre monstrinhos azuis e destrui&amp;#231;&amp;#227;o plasticamente bela no video, no que me enganei inteiramente e fui surpreendido quase todo o filme; N&amp;#227;o pretendo fazer um resumo do filme, embora seja interessante falar sobre alguns temas elegidos pelo filme, um deles - e para mim o mais complexo - o que concerne ao pensamento, no roteiro do filme ha duas fac&amp;#231;oes, os &lt;em&gt;ind&amp;#237;genas-da aldeia-lua distante&lt;/em&gt; e os &lt;em&gt;brancos-americanos-colonizadores, &lt;/em&gt;a premissa &amp;#233; aquela recorrente atmosfera cinematogr&amp;#225;fica&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;em que o cientista em pesquisa se apaixona pelo objeto de estudo e passa a enxergar o tema de uma forma mais vertical digamos assim &lt;em&gt;- aquele olhar dial&amp;#233;tico43 que d&amp;#225; o tchan sabe? rs&lt;/em&gt; - a questao &amp;#233; que aqui o assunto gerador &amp;#233; a posse da terra, do branco visando lucro e o habitante da terra imbuido de seu sentimento simbolico de pertencimento de co-habita&amp;#231;&amp;#227;o e conv&amp;#237;vio, uma vers&amp;#227;o sci-fi da pauta di&amp;#225;ria da FUNAI, bem, o branco acha gra&amp;#231;a e se diverte quando &amp;#233; questionado sobre a necessidade de se derrubar uma &lt;em&gt;suposta &amp;#225;rvore sagrada&lt;/em&gt; ao que demonstra total escarnio e ignora um outro ponto de vista ou mesmo o trabalho de entender o outro, isso nao &amp;#233; minimamente cogitado: primeira marcha no trator e mais uma &amp;#225;rvore desce, aqui preciso parabenizar - como se o cameron fosse ler meu blog! mas enfim, j&amp;#225; que estou falando de simbolos eu aplaudo a iniciativa mesmo sendo aqui da Tijuca - a interpreta&amp;#231;&amp;#227;o do elenco-lua que se desespera com a monstruosidade da de quando se ve um templo sendo devastado, para mim aqui se resume toda a beleza da obra, o etnocentrismo podre que ostenta um poder virtual e violento ... bem ... por enquanto &amp;#233; isso&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;.f&amp;#234; prado&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/29/aquele-olhar-dialetico-43&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">... com bastante receio de perder tres ricas horas da minha tarde carioca no cinema, fui ao Downtown assistir a AVATAR, um filme a principio &#233;pico sobre monstrinhos azuis e destrui&#231;&#227;o plasticamente bela no video, no que me enganei inteiramente e fui surpreendido quase todo o filme; N&#227;o pretendo fazer um resumo do filme, embora seja interessante falar sobre alguns temas elegidos pelo filme, um deles - e para mim o mais complexo - o que concerne ao pensamento, no roteiro do filme ha duas fac&#231;oes, os <em>ind&#237;genas-da aldeia-lua distante</em> e os <em>brancos-americanos-colonizadores, </em>a premissa &#233; aquela recorrente atmosfera cinematogr&#225;fica<strong> </strong>em que o cientista em pesquisa se apaixona pelo objeto de estudo e passa a enxergar o tema de uma forma mais vertical digamos assim <em>- aquele olhar dial&#233;tico43 que d&#225; o tchan sabe? rs</em> - a questao &#233; que aqui o assunto gerador &#233; a posse da terra, do branco visando lucro e o habitante da terra imbuido de seu sentimento simbolico de pertencimento de co-habita&#231;&#227;o e conv&#237;vio, uma vers&#227;o sci-fi da pauta di&#225;ria da FUNAI, bem, o branco acha gra&#231;a e se diverte quando &#233; questionado sobre a necessidade de se derrubar uma <em>suposta &#225;rvore sagrada</em> ao que demonstra total escarnio e ignora um outro ponto de vista ou mesmo o trabalho de entender o outro, isso nao &#233; minimamente cogitado: primeira marcha no trator e mais uma &#225;rvore desce, aqui preciso parabenizar - como se o cameron fosse ler meu blog! mas enfim, j&#225; que estou falando de simbolos eu aplaudo a iniciativa mesmo sendo aqui da Tijuca - a interpreta&#231;&#227;o do elenco-lua que se desespera com a monstruosidade da de quando se ve um templo sendo devastado, para mim aqui se resume toda a beleza da obra, o etnocentrismo podre que ostenta um poder virtual e violento ... bem ... por enquanto &#233; isso</p>
<p style="text-align: justify;">.f&#234; prado</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/29/aquele-olhar-dialetico-43">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>,mas nesse caso era</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/28/mas-nesse-caso-era</link>
			<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 10:51:23 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
			<category domain="main">In real life</category>			<guid isPermaLink="false">34@http://fernandoprado.com/blog/</guid>
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&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;...um dia como estes me faz repensar a dinamica da vida, levando em conta que&amp;#160; toda&amp;#160; vida tem l&amp;#225; sua dinamica e que ela nao &amp;#233; padr&amp;#227;o - cada um tem a sua - e que por isso mesmo vezenquando &amp;#233; alterada por diversas raz&amp;#245;es, eu por exemplo sou o tipo de cara que nao gosta de perder o controle da situa&amp;#231;&amp;#227;o, a &amp;#225;gua que voce esquece no fogo por mais tempo, o leite que derrama, aquela conversa que muda de m&amp;#227;o, aquele jogo em que o dado te surpreende, pois &amp;#233; esse tipo de coisa que foge ao seu controle ou ao seu planejamento, bem, meu cen&amp;#225;rio &amp;#233; o seguinte, um aeroporto do interior mineiro lotado, dois voos cancelados, muita gente insatisfeita, xingando tudo e todos e o escambau, meu primeiro sentimento &amp;#233; o de irmandade, ah! sim! pelo menos nao me sinto sozinho, consigo identificar times de futebol aqui iguais a mim - controladores por natureza - penso que nesse &lt;em&gt;front&lt;/em&gt; tudo se dilui, toda a energia gasta no guich&amp;#234; querendo explica&amp;#231;oes ou mesmo as reclama&amp;#231;oes - que podiam ser para o dono da GOL, para o departamento de atendimento ao cliente GOL, ao agente da INFRAERO, mas nesse caso era para Sao Pedro e em tempos corridos como estes at&amp;#233; uma conversa com o santo tem que ter hora marcada - esvaem com o passar de um curtissimo espa&amp;#231;o de tempo, contando aqui no rel&amp;#243;gio calculo 25 minutos de respira&amp;#231;&amp;#245;es e um pouco de internet - ou podia ser um ca&amp;#231;a-palavras picol&amp;#233; - e toda aquela fila de mais de 100 metros, o frio l&amp;#225; de fora, o check in desorganizado, o voo remarcado e mais dezenas de outras virgulas sem objeto se transformam, porque&amp;#160; penso que realmente t&amp;#234;m que transformar em &lt;strong&gt;conforma&amp;#231;&amp;#227;o&lt;/strong&gt;; agora a pouco um argentino brigou com uma senhora que pediu licensa para poder lanchar no balc&amp;#227;o da &lt;em&gt;casa do pao de queijo, &lt;/em&gt;eu como bom libriano entendo as duas partes, a dele que somatizou todo o stress da fila e das re-organiza&amp;#231;oes do dia ali naquele momento, naquela senhorinha querendo comer um panini de qualquer coisa com tomate seco e tambem consigo compreender a senhorinha que de tao stressada e frustrada pelo voo cancelado s&amp;#243; tinha um capuccino para se distrair. As coisas se conformaram assim, ela continuou o caf&amp;#233; e na primeira oportunidade contou hiperb&amp;#243;licamente o acontecido a uma Maria qualquer que sentou ali para comer um pao de queijo recheado de requeij&amp;#227;o e ele saiu bufando e reclamando dos brasileiros - para sua namorada brasileira - embora tenham uma coisa em comum, ambos aguardam ferozmente aquela campainha que ser&amp;#225; seguida de uma locu&amp;#231;&amp;#227;o de voz de motel convidando-os para embarcar, e se o locutor usar a palavra &quot;embarque imediato&quot; o sorriso deles vai unir orelha a orelha e toda a briga no balc&amp;#227;o vira folclore assim e assim.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;&amp;#201; nesse vai e vem que a gente se da bem e que a gente se atrapalha&quot; ai, ai, ai! E vamos que vamos que as 11h00 eu fa&amp;#231;o check in, ser&amp;#225;?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;f&amp;#234; prado&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/28/mas-nesse-caso-era&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">...um dia como estes me faz repensar a dinamica da vida, levando em conta que&#160; toda&#160; vida tem l&#225; sua dinamica e que ela nao &#233; padr&#227;o - cada um tem a sua - e que por isso mesmo vezenquando &#233; alterada por diversas raz&#245;es, eu por exemplo sou o tipo de cara que nao gosta de perder o controle da situa&#231;&#227;o, a &#225;gua que voce esquece no fogo por mais tempo, o leite que derrama, aquela conversa que muda de m&#227;o, aquele jogo em que o dado te surpreende, pois &#233; esse tipo de coisa que foge ao seu controle ou ao seu planejamento, bem, meu cen&#225;rio &#233; o seguinte, um aeroporto do interior mineiro lotado, dois voos cancelados, muita gente insatisfeita, xingando tudo e todos e o escambau, meu primeiro sentimento &#233; o de irmandade, ah! sim! pelo menos nao me sinto sozinho, consigo identificar times de futebol aqui iguais a mim - controladores por natureza - penso que nesse <em>front</em> tudo se dilui, toda a energia gasta no guich&#234; querendo explica&#231;oes ou mesmo as reclama&#231;oes - que podiam ser para o dono da GOL, para o departamento de atendimento ao cliente GOL, ao agente da INFRAERO, mas nesse caso era para Sao Pedro e em tempos corridos como estes at&#233; uma conversa com o santo tem que ter hora marcada - esvaem com o passar de um curtissimo espa&#231;o de tempo, contando aqui no rel&#243;gio calculo 25 minutos de respira&#231;&#245;es e um pouco de internet - ou podia ser um ca&#231;a-palavras picol&#233; - e toda aquela fila de mais de 100 metros, o frio l&#225; de fora, o check in desorganizado, o voo remarcado e mais dezenas de outras virgulas sem objeto se transformam, porque&#160; penso que realmente t&#234;m que transformar em <strong>conforma&#231;&#227;o</strong>; agora a pouco um argentino brigou com uma senhora que pediu licensa para poder lanchar no balc&#227;o da <em>casa do pao de queijo, </em>eu como bom libriano entendo as duas partes, a dele que somatizou todo o stress da fila e das re-organiza&#231;oes do dia ali naquele momento, naquela senhorinha querendo comer um panini de qualquer coisa com tomate seco e tambem consigo compreender a senhorinha que de tao stressada e frustrada pelo voo cancelado s&#243; tinha um capuccino para se distrair. As coisas se conformaram assim, ela continuou o caf&#233; e na primeira oportunidade contou hiperb&#243;licamente o acontecido a uma Maria qualquer que sentou ali para comer um pao de queijo recheado de requeij&#227;o e ele saiu bufando e reclamando dos brasileiros - para sua namorada brasileira - embora tenham uma coisa em comum, ambos aguardam ferozmente aquela campainha que ser&#225; seguida de uma locu&#231;&#227;o de voz de motel convidando-os para embarcar, e se o locutor usar a palavra "embarque imediato" o sorriso deles vai unir orelha a orelha e toda a briga no balc&#227;o vira folclore assim e assim.</p>
<p style="text-align: justify;">"&#201; nesse vai e vem que a gente se da bem e que a gente se atrapalha" ai, ai, ai! E vamos que vamos que as 11h00 eu fa&#231;o check in, ser&#225;?</p>
<p>&#160;</p>
<p>f&#234; prado</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/28/mas-nesse-caso-era">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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			<title>.chorar as pitangas</title>
			<link>http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/27/chorar-as-pitangas</link>
			<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 01:43:39 +0000</pubDate>			<dc:creator>fernandoprado</dc:creator>
			<category domain="main">In real life</category>			<guid isPermaLink="false">33@http://fernandoprado.com/blog/</guid>
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&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;... sabe, esses dias uma grande amiga, dessas que a gente chama de irm&amp;#227;, me disse uma coisa que fiquei intrigado, n&amp;#243;s moramos em cidades diferentes e cada um tem uma vida mais agitada que o outro - sempre tivemos que pagar nosso proprio lanche na escola, se &amp;#233; que voce me entende - entao o tempo que h&amp;#225; estamos fazendo coisas, outras, enfim. O que me intrigou foi um terceiro coment&amp;#225;rio que dizia que nossa amizade era estranha, uma vez que nao nos lig&amp;#225;vamos sempre, ou nao nos v&amp;#237;amos sempre; fiquei mesmo muito incomodado com isso, penso que um sujeito deixa de ser 'colega' para ser 'amigo' quando h&amp;#225; entendimento entre as partes e esse entendimento se d&amp;#225; - na minha teoria maluca - em diversas esferas, uma mais profunda que a outra e portanto j&amp;#225; deixo claro aqui que amizade para mim &amp;#233; coisa para a vida toda e muitas vezes s&amp;#243; vamos perceber um amigo j&amp;#225; muito tempo depois - eu nao disse &quot;tarde demais&quot; que fique dito - entao esse entendimento que eu estou dizendo passa&amp;#160; por aceitar a vida do outro, seu jeito, suas chatices, seu cheiro, suas piadas, sua conta banc&amp;#225;ria, seu bairro, sua fam&amp;#237;lia, sua historia&amp;#160; entre outros,&amp;#160; aceitar aqui &amp;#233; muito proximo do entender que estou falando, nao &amp;#233; um aceitar passivo - sinceramente aceito pouco o que rola com meus amigos, mas entendo e continuo do lado - e &amp;#233; da&amp;#237; que eu tiro o amor e o carinho por essa galerinha. A midia criou um amigo ideal, assim como o cabelo ideal, o perfume, o jeito de falar e os lugares ideais para ir num domingo, meu amigo nao se enquadra a&amp;#237; assim como eu tamb&amp;#233;m nao fa&amp;#231;o parte disso, meus amigos sabem da minha necessidade de ficar sozinho, dos meus silencios e aus&amp;#234;ncias, das minhas sa&amp;#237;das &amp;#224; francesa e das minhas chegadas fazendo arrua&amp;#231;a, da minha poesia e demais alegrias nessa vida e &quot; desencanam &quot;&amp;#160; assim, dessa forma tambem ajo com eles e nos damos muito bem! O amigo do cinema liga para saber a roupa que vestir, a balada, as novas namoradas e gasta o tempo de outra forma, que bom e que seja assim, embora eu curta muito sentar num bar e ter o resumo do mes ou do ano, ligo tamb&amp;#233;m para falar que estou com saudades, para chorar as pitangas da vida e para contar as alegrias, nada obrigat&amp;#243;rio, obede&amp;#231;o a vontade que cria o momento ideal - a&amp;#237; sim! Sei que essas frases sobre amizade sao bem clich&amp;#234;s, mas tem uma que eu preciso colocar aqui, ela diz &quot;Seu amigo &amp;#233; aquele cara que sabe tudo sobre voc&amp;#234; e ainda sim quer ficar ao teu lado&quot; Elbert Hubbard, &amp;#233;... acho que &amp;#233; por a&amp;#237;... e para a minha grande amiga que gerou todo esse post aqui no blog, meu &quot;eu te amo&quot; grand&amp;#227;o, sem obriga&amp;#231;&amp;#227;o de resposta, certo? s&amp;#243; pra ecoar na web e em qualquer outro lugar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;f&amp;#234; prado&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;item_footer&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;small&gt;&lt;a href=&quot;http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/27/chorar-as-pitangas&quot;&gt;Original post&lt;/a&gt; blogged on &lt;a href=&quot;http://b2evolution.net/&quot;&gt;b2evolution&lt;/a&gt;.&lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</description>
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<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">... sabe, esses dias uma grande amiga, dessas que a gente chama de irm&#227;, me disse uma coisa que fiquei intrigado, n&#243;s moramos em cidades diferentes e cada um tem uma vida mais agitada que o outro - sempre tivemos que pagar nosso proprio lanche na escola, se &#233; que voce me entende - entao o tempo que h&#225; estamos fazendo coisas, outras, enfim. O que me intrigou foi um terceiro coment&#225;rio que dizia que nossa amizade era estranha, uma vez que nao nos lig&#225;vamos sempre, ou nao nos v&#237;amos sempre; fiquei mesmo muito incomodado com isso, penso que um sujeito deixa de ser 'colega' para ser 'amigo' quando h&#225; entendimento entre as partes e esse entendimento se d&#225; - na minha teoria maluca - em diversas esferas, uma mais profunda que a outra e portanto j&#225; deixo claro aqui que amizade para mim &#233; coisa para a vida toda e muitas vezes s&#243; vamos perceber um amigo j&#225; muito tempo depois - eu nao disse "tarde demais" que fique dito - entao esse entendimento que eu estou dizendo passa&#160; por aceitar a vida do outro, seu jeito, suas chatices, seu cheiro, suas piadas, sua conta banc&#225;ria, seu bairro, sua fam&#237;lia, sua historia&#160; entre outros,&#160; aceitar aqui &#233; muito proximo do entender que estou falando, nao &#233; um aceitar passivo - sinceramente aceito pouco o que rola com meus amigos, mas entendo e continuo do lado - e &#233; da&#237; que eu tiro o amor e o carinho por essa galerinha. A midia criou um amigo ideal, assim como o cabelo ideal, o perfume, o jeito de falar e os lugares ideais para ir num domingo, meu amigo nao se enquadra a&#237; assim como eu tamb&#233;m nao fa&#231;o parte disso, meus amigos sabem da minha necessidade de ficar sozinho, dos meus silencios e aus&#234;ncias, das minhas sa&#237;das &#224; francesa e das minhas chegadas fazendo arrua&#231;a, da minha poesia e demais alegrias nessa vida e " desencanam "&#160; assim, dessa forma tambem ajo com eles e nos damos muito bem! O amigo do cinema liga para saber a roupa que vestir, a balada, as novas namoradas e gasta o tempo de outra forma, que bom e que seja assim, embora eu curta muito sentar num bar e ter o resumo do mes ou do ano, ligo tamb&#233;m para falar que estou com saudades, para chorar as pitangas da vida e para contar as alegrias, nada obrigat&#243;rio, obede&#231;o a vontade que cria o momento ideal - a&#237; sim! Sei que essas frases sobre amizade sao bem clich&#234;s, mas tem uma que eu preciso colocar aqui, ela diz "Seu amigo &#233; aquele cara que sabe tudo sobre voc&#234; e ainda sim quer ficar ao teu lado" Elbert Hubbard, &#233;... acho que &#233; por a&#237;... e para a minha grande amiga que gerou todo esse post aqui no blog, meu "eu te amo" grand&#227;o, sem obriga&#231;&#227;o de resposta, certo? s&#243; pra ecoar na web e em qualquer outro lugar.</p>
<p style="text-align: justify;">&#160;</p>
<p style="text-align: justify;">f&#234; prado</p><div class="item_footer"><p><small><a href="http://fernandoprado.com/blog/blog1.php/2009/12/27/chorar-as-pitangas">Original post</a> blogged on <a href="http://b2evolution.net/">b2evolution</a>.</small></p></div>]]></content:encoded>
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