01/18/10

Permalink 01:58:15 am by fernandoprado, Categories: In real life

 

 

 

Um estalo, um eco e um pensamento. Caixas. Seis ano depois de desempacotar tudo agora é hora de empacotar novamente, minha casa passa por reformas, uma dessas necessarias e adiadas ate o ultimo segundo possivel - pela grana, barulho, poeira, pedreiros entre outras coisas mais - e temida tambem. Hoje a tarde fiz um barulho, um estalo dentro da casa que ecoou forte nos tres pequenos comodos, foi quando realizei que a casa estava vazia, que o som havia percorrido um espaço sem mobília e tinha voltado para mim. Quando levei a ultima caixa para fora eu encontrei algumas coisas que tinham ficado escondidas pelo tempo, um arquivo com o roteiro do espetaculo A PEDRA, com indicaçoes da montagem, cenas, o que eu dizia aos atores, iluminaçao, enfim, as ideias brutas que foram sendo lapidadas no periodo de nove meses, coisas da cabeça de um diretor que levou tempo para construir uma obra e está ali o embriao, nos papeis, na trilha ainda sem detalhamento, nos pequenos e grandes argumentos. Fuçando mais ainda encontrei um boletim de ocorrencia policial de quando fui assaltado - uma experiencia horrivel e desnecessaria - entraram com armas na mao, parando o onibus em plena BR, nos levaram quase tudo, quase mesmo, agora olho para o B.O que amontoa nomes disformes e anonimos, cada um ali representa uma historia que nao conheço mais, cada nome uma justificativa para continuar a remexer meus papeis e descobrir uma autuaçao por exceder velocidade no centro da cidade, sim, era madrugada e eu passei mesmo, acho que coloquei cinquenta, onde era permitido quarenta, sei lá, alguma coisa assim, me custou alguns reais e uma chateaçao. Continuando ainda eu encontrei fitas cassete que eu provavelmente gravei quando tinha quatorze anos, talvez ate dezesseis, o que estao gravados ali? nao sei. Joguei algumas fora, quase todas, nao quero saber o que tem, quais musicas, quais contos, quais cores, já nao me importam, nao vou ficar vivendo de passado - pensei - e la se foram algumas horas de gravaçao que por estar numa fita k7 já tem um ar empoeirado, que alguns poderiam ja chamar de vintage. As VHS foram em sua maioria para o lixo, nem sequer vi o titulo, tive medo de me apaixonar e nao conseguir jogar fora, que venha o novo, as novas fitas com novos titulos ainda que sejam remasterizaçoes do passado.  Continuo mexendo e fazendo estalos aqui no vazio da casa que começa a se transformar, para encontrar cartas de um amor, que saudade! tenho mesmo, do jeito que foi escrito, da historia que aconteceu, de um tempo onde ficava guardado na gaveta em um lugar especial e hoje está aqui repousando no fundo desta caixa temporaria. Fica a pergunta, o que disso tudo volta para a casa nova? O que volta para a minha vida? O que deve ocupar este novo espaço que eu mesmo estou criando? Estalos e ecos, creio que seja uma boa sintese desse novo momento.

01/13/10

Permalink 11:40:25 am by fernandoprado, Categories: Background

 

 

Meu post começa assim, com um ventilador em cima de mim e Marina Lima dizendo "então venha me dizer o que será da minha vida - ooou! - sem você (...) um mundo estranho para me segurar"  é bem isso mesmo, um mundo estranho. Acabei de chegar do centro de compras e saí de lá com duas aquisições, uma delas uma camisa polo branca sem bolso de vinte e cinco reais pagos pelo meu cartao de débito e a outra aquisição um filme - estupidamente - intitulado de "Foi tudo um sonho" ou "Revolutionary Road". Assi mque assisti há alguns meses atras me apaixonei pela trama, pelo roteiro/direção e derivados do leite sem falar na interpretação de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio que são magistrais e que denotam a maturidade do casal que despontou ao mundo através do barquinho de papel que afunda. Bem, o que foi interessante é que comprei o filme e fui atras da minha polo branca sem bolso, enquanto eu pagava a mesma,  a vendedora - vendo meu filme em cima do balcão - graciosamente solta a pérola "eu nao gostei desse filme"  e como se fosse uma continuação da conversa e já fechando a venda ela complementa sem exitar "obrigado, tenha um bom dia" e sai dali. Pausa dramática. Só me sobrou um sorriso amarelo de quem tenta ainda ser educado ainda que profundamente incomodado com a situação, agora me conta... porque isso me incomodou? Porque de alguma forma o gosto de um individio configura sua visão de mundo, suas escolhas e mesmo que nao fosse da minha vontade me tornar amigo dessa - infeliz - vendedora, nem mesmo tivesse eu vontade de comer um churrasquinho no domingo  ou mostrar minha coleção de dvds a ela num dia chuvoso, me entristeceu o fato de não dividirmos o mesmo gosto ali naquela fila, enquanto eu digitava minha senha de quatro caracteres no teclado. Preocupa e me incomoda a banalização da obra de arte e o esvaziamento das questoes que envolvem a relação interpessoal, afetiva, profissional, não é atoa a violencia desenfreada e sem limites - como se fosse possivel uma com limites - penso que tudo isso passa pela via da aquisição de conhecimento de mundo que vem entre outras formas de um filme como este "Revolutionary Road" tão bem urdido que merece nosso olhar de encantamento e porque não de aprendizado. O saldo - para mim pelo menos - foi ótimo: cheguei em casa com um filme, uma camisa polo e uma historia pra contar.

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